quinta-feira, 27 de maio de 2010

Uma bela cicatriz sempre mente.

...pq a luta é bela, não as feridas.
















Do que estou aprendendo ainda ñ posso ensinar, mas uma direção posso desaconselhar:
Antes, para onde eu estava indo, ñ vá.

Banco de Areias



Nasci em 1977 na madrugada do dia 15 de novembro.
Sempre fui, desde o início, meio polêmico, o lugar onde nasci não é bem exatamente um lugar onde uma mulher escolheria para dar a luz a sua cria, mas fazer o quê...tinha que ser do jeito e na hora que eu queria ...minha mãe entende bem o que estou dizendo já que sempre relatou dessa maneira a minha pressa pra tudo.
E na verdade apesar da minha intrepidez e de estar convencido da minha ,outrora, vontade absoluta e ego robusto, o tempo fez com que o amadurecimento finalmente chegasse e apascentasse a cada dia um retroceder nas minhas convicções e uma certeza legítima pôde alvorecer : a de que tem mais haver com o que Deus queria e quer ,assim mesmo, desde o início.

Hoje narro aos meus irmãos mais novos e até para os que vieram compôr na família ao longo dos anos, inclusive meu filho, as poucas condições e recursos quase zero, já que nisto posso fazer menção da abençoada parideira chamada as pressas no meio da noite, num lugar feio, num bairro chamado Banco de Areia para amparar o pacto entre a força da natureza e a vida, nesse caso a minha , numa pequena casinha ao fundo de um caminho que cortava um matagal sinistro.rs

segue...

Raízes na água



Bem, a partir disso, tudo o que me recordo são imagens de lembranças recortadas, que se amontoam na memória e assim com o passar dos anos até que se formassem as lembranças mais claras e juvenis, inerentes a formação inicial do meu caráter, entre outras coisas. Mas ainda hj é muito vigoroso saber que minha estória é de superação desde que por aqui cheguei ou melhor: até pra CONSEGUIR chegar até aqui.
Minha falecida vó... sempre me chamava de "sem vergonha"; os antigos, ao menos do tempo dela, tinham uma forma de tratamento peculiar do tipo se vc quer chamar alguém de forte é melhor chamá-lo "vazo ruim", eu sei: -um tanto questionável se posto ante as formas que pessoas mais eloqüentes utilizam. Minha vó era rústica sim e colocova os netos pra correr de pavor quando apontava vindo na esquina pra uma visita as filhas casadas...mas isso é assunto pra mais adiante.
Muitas das vezes que minha avó abria uma sessão nostalgia referente a mim, antes me pedia que fosse a sua casa fazer algum serviço rsrsrs mas sempre dividia suas memórias no final da lida acompanhadas com alguma igüaria que ela só permitia saborear naqueles têrmos (trabalho):
-Ê sem vergonha! - ela dava uma risada que não dá pra descrever mas seria algo entre "estou velha e tô feliz" e "que se danem os meus dentes" rsrrs -Velha Isabel; que saudade!!!
Mas ela então emendava:
-Tu sabia, safado, que tua primeira mamadeira foi eu que fiz??!!---dava mais uma sequencia daquela silenciosa gargalhada que lhe impulssionava todo o corpo pra cima e pra baixo em sua cadeira de balanço e arrematava: -Tua mãe num tinha leite e teu pai num tinha nenhum tostão,aquele nanico sem vergonha, então eu punha farinha de trigo com água pra ferver e fui mexendo até engrossar...te dei aquilo e,tu, chega se fartô...ficô quieto e dormiu,que nem um anjo.
Minha avó sempre me contava essas estórias, mas claro, somente depois que eu cresci, quando chegamos a um reconhecimento natural de que o tempo das surras e puxões de orelha havia passado e que mesmo que ela continuasse sem me dar nenhuma confiança eu acabaria arrancando sua empatia no "talento" dizendo algo do tipo: -Vó, a senhora tá bonita hj vó!...dá um sorrisão pro seu neto preferido dá..."aquele" sorriso vó!!- Antes de se escangalhar de rir a velhinha disparava:
-Tu nem é meu preferido,discarado...num vale nada!-
rsrsrsrss.Sua benção vó.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Fino ouro




Eu encontrei muita gente de valor pelo caminho que desagüa aqui, nem sei porque às vezes sou tão intolerante se tantas pessoas foram tão pacientes comigo,tão complacentes nas minhas limitações em muitas das fases de aprendizado; é nisso que minha maturidade tem me acusado nesses dias, parece que antes de dar um novo passo a uma evolução espiritual eu tenho me confrontado duramente batendo nessa tecla.
Para mim as pessoas eram sempre cheias de justificativas, cheias de estórias tristes, para a não realização de algo grande ou pequeno em suas vidas, sempre me pareceu bem e inteligente fazer uma leitura delas como pessoas que encobrem uma falta de empenho, disposição...falta de força.
Hj começo a compreender o que de fato vem a ser isso: Força.
Não me condeno por tantos anos ter me apegado a uma idéia fixa de sempre atravessar, seja lá o que for, aguardando dificuldade, resistência, derrota... tudo o que era de bom na minha família não durava, não havia fases intermediárias na roda gigante das nossas condições: ou estávamos muito bem ou estavávamos dependendo de alguém até mesmo pra comer ; ou em cima ou à baixo, estávamos sempre prontos a perder tudo e a recomeçar a lutar por algo.
Desde que me entendo por gente tenho um censo de julgamento muito amplo; uma sensibilidade que rápidamente percebe o outro e seus porquês, ñ sei qd exatamente comecei a fazer isso mas era isso que me permitia uma facilidade natural em contornar o que punham pra mim como empecilhos...pq empecilhos revelam as limitações humanas, alguém que ñ evoluiu vai com certeza refletir para sempre o empecilho que o fez parar, tanto é assim que sua limitação e ele tornam-se um, até que outrem se inspire nisto e tbm não evolua e recomece um novo processo de estagnação. Há muita sabedoria aqui ; um homem pode caminhar a vida inteira atrás da felicidade e encontrando uma casa à beira da estrada receber tão bom tratamento do anfitrião que, satisfeito, repousaria por um ano e mesmo depois, por ali mesmo se acomodaria ou morreria de velhice,estando,sem saber, a um ano de distancia da ponte que o levaria até sua meta inicial, real e definitiva: a felicidade...então sem descobri-la, seria grato àquele alguém fatídicamente generoso(a)que lhe fez parar e descançar no seu "benevolente" empecilho.